GREVE NAS FEDERAIS: Marasmo total


GREVE NAS FEDERAIS: Marasmo total


Como pode uma mobilização tão grande ter tão pouca visibilidade no cenário nacional? Fico me perguntando isso e torcendo para que esse silêncio midiático seja quebrado...
Há mais de 40 dias professores de 56 (do total de 59) Universidades Federais estão em greve em nosso país e isso está passando despercebido, como se fosse situação rotineira. Estamos diante de problemas sérios nas Universidades brasileiras, problemas que sempre existiram, mas que foram agravados pela criação de novos cursos e aumento do número de vagas nas Federais. Quando o REUNI aconteceu e os estudantes foram convocados pelas assembleias das respectivas Universidades, para opinar sobre esse aumento de vagas, nós já prevíamos que um caos iria acontecer em algum momento, pois uma miscelânea de problemas viria à tona.
O grande problema é que o salário dos professores sempre foi ruim, nunca esteve a altura dos largos anos de estudo que são necessários para se dar aula em uma Universidade Federal (lembre-se que a titulação mínima exigida é de Mestre), agora junte-se a isso a criação de novos cursos que exigem que o espaço físico das Universidades aumente, que novos ambientes, restaurantes, laboratórios, casas de Diretórios Acadêmicos, estacionamentos etc sejam criados... Junte a isso também a contratação de professores que muitas vezes se encontra “empacada” por questões burocráticas e por falta de verba do governo. Isso é uma verdadeira bomba que um dia, sem dúvida, iria explodir! E explodiu, tanto que quase todas as Universidades aderiram à greve, entretanto a mídia simplesmente não dá a devida importância a esse acontecimento. Os professores e alunos não estão entendendo o porquê de ninguém estar discutindo o assunto em rede nacional!
Lula, enquanto presidente, fez uma coisa que jamais alguém fez por esse país, que foi dar mais oportunidades ao povo de estudar gratuitamente nas Universidades Federais. Devemos enxerga isso como uma oportunidade única muito maior que só estudo, pois isso implica em oportunidade para o povo brasileiro sair da ignorância, enquanto outros governos têm como intuito manter o povo ignorante para que assim possam dominá-los de forma mais simples. Isso foi louvável, mas sabemos que a implantação de novos cursos não foi nenhum mar de rosas, visto que passamos por dificuldades (me incluo nisso porque fui estudante de um curso novo de uma Federal e senti na pele as dificuldades de implantação. Certa vez ficamos quase um semestre sem ter aula de uma matéria específica porque o governo não liberava a contratação de um professor alegando falta de verba) e foi graças aos professores que o ensino das Universidades se manteve excelente apesar de todas as adversidades.
Houve a implantação de novos cursos e aumento de vagas, mas agora é hora de fazer a manutenção daquilo que já foi conquistado. Se isso não acontecer o excelente ensino das Federais corre o risco de perder a qualidade devido à expansão mal planejada. Comecemos por aumentar o salário dos professores, aumento de verbas para contratação de novos professores e revisão daquilo que ainda é necessário fazer para que a infraestrutura seja satisfatória para abarcar novos estudantes. 


Allyne Fiorentino de Oliveira
28/06/2012

Comentários

  1. "O governo destina quase 50% do Produto Interno Bruto (PIB) para pagamento dos juros da dívida externa, enquanto a educação fica com menos de 4%. Essa política orçamentária mostra que a prioridade do governo não é com a educação"

    "A Comissão Especial de Educação da Câmara dos Deputados aprovou 10% do PIB para o setor, na última terça-feira (26), o prazo para atingir esse percentual é até 2023.

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